E se o seu filho dissesse que não presta para nada?

E se o seu filho dissesse que não presta para nada?

Talvez a sua primeira reação seria entrar em pânico para posteriormente começar a culpar-se de algo de errado que possa ter feito na educação do seu filho. É com este pressuposto que acredito que este artigo lhe possa interessar.

A construção de uma autoestima positiva é importante para o desenvolvimento de uma criança. Por um lado, vai ajudá-la a estar mais resiliente para enfrentar os desafios impostos pela vida, por outro, promove-lhe a confiança necessária para ultrapassá-los.

 Então o que é autoestima?

Quando um pai diz que o filho tem uma baixa autoestima, o que ele quer dizer é que o filho não valoriza a sua própria imagem, porque estima representa o valor que a criança atribuiu a si própria através das suas competências em diferentes áreas da vida (escolar, social, desportiva, familiar, etc.).

Dessa forma importa compreender que os alicerces para uma elevada autoestima começam a ser construídos desde que as crianças chegam ao mundo e o papel parental é relevante para reforçar positivamente essa estima.

Embora não existam genes que determinem a elevada ou baixa autoestima, sabemos que pais com baixa autoestima podem gerar nos seus filhos a predisposição para desenvolver uma baixa autoestima. Talvez isso se explique porque existem muitas causas externas, no ambiente da criança, que podem influenciar essa tendência.

                                                                                       “Se uma criança cresce ao lado de pais que têm baixa autoestima, irá herdar dos pais esta maneira de ver o mundo”

As experiências pela qual a criança passa no decurso do seu desenvolvimento são cruciais para a construção das crenças sobre si mesma. Tudo o que a criança vê, ouve e vive na sua infância, quer em contexto familiar, escolar ou social, vai influenciar significativamente na percepção que tem de si própria.

Importa perceber que tudo o que a criança recebe e interioriza mentalmente do ambiente que a rodeia irá ter um impacto muito relevante na construção da sua imagem. Assim devemos aprender a evitar algumas experiências que podem influenciar negativamente a sua estima:

  • Punições exacerbadas;
  • Comparar constantemente com outras crianças;
  • Criticar negativamente e impedir que se expressem;
  • Não demonstrar interesse pelas pequenas coisas que ele faz;
  • Ter crenças negativas sobre si e traduzir isso para as crianças;
  • Não demonstrar afecto;

Mas como pode potencializar a autoestima do seu filho?

Para que possa contribuir e ter sucesso na construção de uma imagem confiante e segura do seu filho, terá que recordar um princípio básico: A mente inconsciente do seu filho é um terreno extremamente fértil e todas as sementes que plantar irão traduzir-se nos frutos que irá colher no futuro. Partindo deste princípio é importante fazer a sua parte, assim ficam algumas dicas que lhe poderão ser úteis.

  • Elogie pelo esforço e não apenas pelo resultado;
  • Diga-lhe todas as noites ao deitar “Tenho orgulho de ti”;
  • Demonstre interesse pelas atividades ou assuntos que ele aprecia;
  • Ensine o seu filho a reconhecer os seus erros e a aprender com eles;
  • Motive a descobrir tudo o que ele é capaz de fazer e acompanhe-o nesse processo;
  • Demonstre sempre afeto e carinho. Descubra o poder de um abraço;

Uma criança com baixa auto-estima poderá transformar-se num adulto que não estará preparado para enfrentar os obstáculos da vida. Se este padrão de comportamento for persistente e se de alguma forma sentir que não está a conseguir lidar com esta situação, procure ajuda terapêutica especializada para o seu filho.

Paulo Dias – Neuropsicólogo e Hipnoterapeuta na Clínica Dr. Alberto Lopes.

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